quarta-feira, outubro 27

Quando estamos numa fase ruim...

Vivemos em dois mundos distintos: o mundo objetivo que inclui o trabalho, o mercado, o dinheiro, as relações, e o mundo subjetivo que são os nossos desejos e os nossos sentimentos. Não temos controle total sobre o mundo objetivo. As perdas, os fracassos, as quedas nem sempre dependem totalmente de nós. Vivemos numa sociedade competitiva, desigual, regida por leis que estão acima, às vezes, do nosso desejo e compreensão. Já os nossos pensamentos e sentimentos são nossos e podemos fazer muita coisa com eles. Achar que o mundo externo é responsável pelo nosso desânimo e frustração é abdicar do papel de sujeito da própria vida. E a consequência é simples. Ao invés de aprender a lidar com muitas emoções, podendo inclusive transformar a frustração e o desânimo em motivação e esperança, vou lamentar o mundo e tentar controlá-lo.

Talvez a brincadeira contida na piada “ante o inevitável, relaxe” seja a pura verdade diante das atribulações da vida. Um recuo para si próprio, um voltar-se para dentro, um relaxamento físico através de exercícios corporais são fundamentais quando tudo em volta parece desmoronar. Nossa tendência é o inverso disso. Saímos impulsiva e intempestivamente batendo a cabeça por todos os lados, atirando em todas as direções e isso só faz aumentar nossa frustração.

Já que somos imperfeitos podemos crescer e melhorar cada dia um pouco mais. Ao invés de lamentarmos o mundo, os outros, a sociedade, vamos envidar esforços para achar uma saída. Talvez não seja aquela saída que sempre idealizamos, mas será uma solução possível, às vezes melhor do que a que, teimosamente, queríamos que acontecesse. A noite só escurece até a meia-noite, depois começa a clarear. Sempre daremos conta. A única condição é não ficar sentado na beira da estrada, chorando o próprio destino.
 
Antônio Roberto

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