domingo, junho 27

O Corpo Imperfeito?


          
                                     Considero esse post uma exclamação em toda problemática vivenciada pelas pessoas em suas obsessões, desesperos, ansiedades em busca de um corpo dito “perfeito”. 


            Em nossos dias corridos e esfoliados por informações de busca de prazeres imediatos, somos colocados de frente a um objeto de consumo muito peculiar, um corpo “perfeito”, ligamos nossas televisões, abrimos nossos jornais, ouvimos nas rádios muitas notícias, uma nova divindade chegando? Uma nova catástrofe? Uma nova rebelião? Muitas vezes também, mas o que tem sido muito enfatizado é o corpo, ou o corpo dos “sonhos”, caracterizado por uma nova academia, medicamentos emagrecedores, um novo tratamento cirúrgico para beleza.
            Somos deliberamente inseridos numa contemplação do corpo, malhado, forte, sarado e saudável, esses são alguns dos adjetivos para pontuar o que é chamado de “belo”. Nossos templos de ritos, agora são as academias, as farmácias, os spas, as clínicas de beleza, milhares de pessoas percorrem horas de louvor puxando ferro, fazendo uma nova prece em frente a seus espelhos, ajoelhando numa máquina que promete endurecer seus glúteos.
            Essa busca de enquadramento num molde de beleza nos faz percorrer um caminho como aquele do cão de corrida que busca alcançar o coelho mecânico, e descobre por fim a impossibilidade de alcançá-lo, como se o coelho fosse para nós a beleza inalcançável, algo criado por nós e por nós fantasiados, criamos com isso sujeitos insatisfeitos, compulsivos, cobradores de si, que se punem ao perceber que ainda está com aqueles dois quilos a mais, ou que sua pele não é consideravelmente boa. 
            Além das cobranças e ansiedades, formamos sujeitos com problemas alimentares, bulimicos e anoréxicos, no qual o controle pessoal é puxado pelas correntes da dita “perfeição”. O que corresponde exatamente ao ser perfeito? O que é ser perfeito em nosso mundo de pessoas tão diferentes?
            Um grande vazio se instala o vazio do não conseguir, do não poder, do não ter. Estamos criando sujeitos vazios, que não conseguem se perceber, que não conseguem se amar e que tendem a ter maus relacionamentos.
            A magnitude do ter, do possuir, tornou-se um mantra que diz:


Eu tenho que ter
Eu tenho que ter
Eu tenho que ter


            Mas dentro dessa lógica de pensamento, em que o corpo “perfeito” virou um objeto de compra e de mercado, como garantir uma qualidade de vida ou ainda uma saúde mental? Como conviver com tal cobrança tão pessoal? A do corpo.
            Essa busca compulsiva por aceitação do outro se mantêm devido aos meios de comunicação, aos moldes de beleza, a sociedade do “ter”. Mas e então como lidar com tantas dúvidas? Primeiro passo: Discutir, se reconhecer e transformar, caminho pedregoso, mas que se faz necessário! O importante talvez não seja colocar pontos finais nessas discussões, sempre gostei dos três pontos... Pois assim podemos abrir um espaço para mudanças, umas das maiores, a mudança de pensamento!

Um comentário:

  1. Hum... acho que este post resultou de alguma caminhada.. haushushsuha
    Adorei o blog Ti! Vc escreve maravilhosamente bem... Bjuuuu

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