Nós como sujeitos repletos de sonhos e desejos, nos deparamos em determinados momentos com algumas contradições. Quando dizemos, por exemplo: “amo aquela pessoa mais que tudo” e numa semana seguinte “nunca odiei tanto alguém”, percebemos a proximidade de sentimentos tão complexos e opostos. Mas por qual razão será que nos “desencantamos” com alguém? Ou porque não vemos mais aquela pessoa como a minha “cara metade”?
Num primeiro momento somos acometidos por uma sensação dita paixão, algo muito forte e extremamente alucinógeno. É se deparar com um espelho do que queremos ver, a frase dita em frente a tal espelho é “espelho, espelho meu, essa pessoa que me apaixonei é um pouco do que sou eu?”.
Quando estamos entrelaçados pelos laços da paixão jogamos na outra pessoa uma enorme gama de energia e expectativas, das quais, e muitas vezes, as pessoas não vão dar conta de devolver aquilo que é esperado.
Os príncipes e as princesas, dessa forma, quando beijados voltam a serem sapos, às vezes até com verrugas. Projetamos na pessoa amada os nossos mais íntimos desejos. E a outra pessoa da mesma forma o faz. Contudo com o tempo descobrimos de forma incoerente com o esperado, que a pessoa amada, ronca, solta odores e ainda tem crises de ciúmes. Bom esse é um começo de uma estrada chamada quebra de fantasias. É inerente aos relacionamentos, e muitas vezes não vem escrita nos rótulos da embalagem. Seria mais fácil se as pessoas tivessem bulas, descrevendo a posologia e também os efeitos colaterais. Mas como somos seres singulares isso não ocorre.
Entretanto, o que é mais delicado e divertido nessa história toda é que todos nós buscamos amar. Encontrar outra pessoa que possa compartilhar afetividades é algo já coloquial em nossa cultura.
O amor por sua vez ocorre quando as expectativas já foram quebradas, é quando o alucinógeno já fez seu efeito e a vista consegue tatear melhor a realidade de quem é essa outra pessoa, quando o discurso ultrapassa o eu, e consegue dar espaço também ao desejo do outro. Amar seria perceber o outro como ele é, não somente com suas qualidades positivas, mas com aquilo que muitas vezes nos incomodam. Saber lidar com aquilo com que nos incomoda é aceitar o relacionamento, podendo transformar tais inconveniências em arte da convivência, contudo, quando aquilo que a pessoa mostra é tão insuportável ao ponto de não conseguir lidar com tais sentimentos, o que geralmente ocorre é uma cisão, um deixa pra lá isso não é comigo, é com a outra pessoa, ela que está errada, dando espaço para a separação.
Falar de amor em qualquer idade implica em saber que não existe uma definição pura, única. Talvez existam faces do amor, faces estas que nos indicam um modo de amar, que aliado ao nosso próprio jeito de viver nos dirigem a uma concepção própria, vivenciada como única do que realmente é o amor e de como se ama.
Não existem fórmulas e nem receitas, o que existe é o jeito singular de se relacionar. Aqui a prescrição é assertiva, não existem rótulos, pudores, preconceitos sobre sexualidade, raças, o melhor método de experenciar um dos segmentos dessa vida é Amar, e sim a letra é maiúscula para ficar um pouco mais entregue e verdadeiro!

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