sexta-feira, abril 17

Os entrelaces de angústia da pandemia


           A pandemia do Covid - 19 não vem só recheada com vírus, infecções e doenças respiratórias, ela vem acompanhada do entrelace daquilo que chamamos de angústia. Desperta no sujeito do inconsciente os mais variados sintomas encadeados na rede de significantes. Medo, ansiedade, compulsões, insônia, lentificação, entre outros que cabem ou não na dialética da linguagem.
O real, o indizível, é aquilo do que não queremos saber, não queremos dar conta, e em momentos de encontros próximo com a morte, a falta se impõe, com isso a angústia aparece. Nos impele a responder conforme aquilo que cada um pode! Comer mais ou menos, dormir mais ou menos, aumentar nossos batimentos cardíacos, nos tirar de uma atenção focada para uma dispersão que não encontra nada, um luto sem perda no agora, um medo de perder... Tudo isso para uma tentativa de encontrar palavra e signo! Não queremos saber disto! Mas uma coisa incomoda, rememoramos nos sonhos ou pesadelos, e eles tentam nos dar algum sinal de que algo realmente falta.
A morte é um relato do não sentido, daquilo que remete ao final de nossa história, e que aponta que somos seres faltantes. Em tempos de pandemia se deparar com essa questão é inevitável. Entretanto uma outra questão se impõe, sentir angústia é importante para tentarmos ressignificar nossas vivências? Se o efeito for o de avaliar os significando como o tempo, escolhas, afetos, relacionamentos, enfim, fatores da vida, talvez seja sim importante! Mas também é um desdobramento de uma tentativa de darmos conta daquilo que não queremos saber, uma tentativa que se mostra extremamente necessária em tempos vazios.


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