A
pandemia do Covid - 19 não vem só recheada com vírus, infecções e doenças
respiratórias, ela vem acompanhada do entrelace daquilo que chamamos de
angústia. Desperta no sujeito do inconsciente os mais variados sintomas
encadeados na rede de significantes. Medo, ansiedade, compulsões, insônia,
lentificação, entre outros que cabem ou não na dialética da linguagem.
O real, o indizível, é aquilo do
que não queremos saber, não queremos dar conta, e em momentos de encontros
próximo com a morte, a falta se impõe, com isso a angústia aparece. Nos impele
a responder conforme aquilo que cada um pode! Comer mais ou menos, dormir mais
ou menos, aumentar nossos batimentos cardíacos, nos tirar de uma atenção focada
para uma dispersão que não encontra nada, um luto sem perda no agora, um medo
de perder... Tudo isso para uma tentativa de encontrar palavra e signo! Não queremos
saber disto! Mas uma coisa incomoda, rememoramos nos sonhos ou pesadelos, e
eles tentam nos dar algum sinal de que algo realmente falta.
A morte é um relato do não sentido,
daquilo que remete ao final de nossa história, e que aponta que somos seres
faltantes. Em tempos de pandemia se deparar com essa questão é inevitável. Entretanto
uma outra questão se impõe, sentir angústia é importante para tentarmos
ressignificar nossas vivências? Se o efeito for o de avaliar os significando
como o tempo, escolhas, afetos, relacionamentos, enfim, fatores da vida, talvez
seja sim importante! Mas também é um desdobramento de uma tentativa de darmos
conta daquilo que não queremos saber, uma tentativa que se mostra extremamente
necessária em tempos vazios.
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