Há algum tempo venho querendo escrever sobre esse tema, porém, exitante me encontrava. Mas agora me sinto confortável para colocar aqui minhas idéias, vamos lá então. Não consigo falar de religião sem falar da minha formação pessoal religiosa, venho de uma família católica com participação esporádica aos ritos religiosos, mas com profunda devoção e fé que assim a permeia. Criado nessa doutrina, em minha infância segui fervorosamente os preceitos religiosos que foram passados para mim. Logo, na adolescência com a aparição de desejos, e com pensamentos que iam contra há alguns desses preceitos, me coloquei a refletir sobre a grande verdade da religião, ou as verdades que se encontravam em se tratar de igreja, pecado, confissão, remição de pecados, enfim, tais questionamentos me causavam grande sentimento de angústia, por assim parecer que eu estava sempre “caminhando contra a maré”, mas o maior sentimento que eclodia com todos esses pensamentos era o de pertencimento, em qual local eu pertencia? Será que esse deus todo poderoso, me aceitaria sendo quem sou? Pertencimento é uns dos grandes desafios do homem vivendo em sociedade, e para mim viver preceitos religiosas era ir contra o meu eu, minha verdade, o meu ser. Era como colocar novamente uma borboleta no casulo e esperar que a lagarta nunca se transformasse. Mas sai desse casulo, fiz minha transformação pessoal, espiritual e por sua vez religiosa.
Quando entrei na faculdade de psicologia, comecei uma nova caminhada de construções de pensamento, mas duramente muito tempo tive que despir de meus preconceitos e, quebrando meus conceitos sobre questões absolutas, fui colocando tijolo por tijolo, foi um momento de encontro, como se tivesse que acordar todos os dias olhar no espelho e ver se aquele rosto era mesmo o meu, não, não tenho propensão a doenças mentais, mas construir o eu foi essencial nessa parcela da minha vida, retomar lembranças, verificar memórias, pensar, pensar e pensar. A religião foi onde investi grande investimento de pensamento, porque não acreditava que aquele deus bondoso, grandioso e amável, seria capaz de me rejeitar, me culpar me prender numa caixa onde nunca coube. E fui descobrindo comigo mesmo, uma nova forma de fazer religião, ou de falar com deus. Nesse tempo me considerava “agnóstico” não acreditava no deus Católico Apostólico Romano, mas tinha para mim a existência de um ser que me acolhia em que eu poderia confiar e ele também confiar em mim. Mais que um deus distante, um amigo muito próximo. Passei por níveis de angústias que me doíam a alma. Esse processo todo chamei de aceitação, aceitar a mim, aceitar quem sou, aceitar minhas falhas e aceitar o que posso fazer e ser!
Desconstruir a religião foi essencial para a minha sobrevivência, para minha afirmação como ser, de me possibilitar ser, hoje considero deus como não sendo alguém que me vigia e me pune, como diria Foucault, mas alguém que está em minha vida para me dar liberdade para eu viver minha vida com minhas escolhas e ao mesmo tempo conforto para continuar lutando na batalha da vida. Não quis me aproximar muito da psicologia neste texto para que assim ele ficasse mais intimo. Até porque, a psicologia assim como a ciência, não explica tudo, nem tanto a religião.

Você fez o que todos deveriam fazer, mas por medo, preguiça, ou falta de tempo (a correria do mundo consome a todos) não fazem: refletir sobre suas ideias, preceitos e valores. A religião é para ser algo pessoal, intimo, mas as pessoas normalmente seguem receitas pré fabricadas a tantos séculos atrás que perderam mt de seus sentidos.
ResponderExcluirIsso me lembra o papo com meu professor de canto hoje pela tarde ao qual eu explicava a ele que o Deus que acredito deve observar os mortais como ignorantes, pois grande parte da sociedade passa tempo julgando, excluindo e até punindo seguindo preceitos ridículos apoiados em seja lá o que for, ou como eles preferem chamar de “ética ou moral”, deixando de lado seu irmão pela cor da pele, opção sexual ou qualquer outro motivo que julgam ir contra a sua própria “verdade”, fazendo “justiça” na própria terra...
ResponderExcluirVivemos em uma sociedade “retro” onde pessoas discutem ainda coisas básicas que a tempos devia ser seguida, como porque vou me preocupar com a vida do meu irmão, se o que eu quero mesmo é que todos sejam felizes?! Baseados nessa “demagógica certeza de que isso é certo ou errado” muitos vivem por ai sem ter o que comer, beber ou vestir, e assim caminha a humanidade...
Ti a maturidade é visível no passar dos textos e me senti muuito proxima de voce ao fazer a leitura deles. Perfeito, Mágico.
ResponderExcluirAgradeço muito a vocês! Isso que me motiva a escrever mais e mais...
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