"Sempre notei que as pessoas falsas são sóbrias, e a grande moderação à mesa geralmente anuncia costumes dissimulados e almas duplas".
Jean Jacques Rousseau
Falsidade é a característica do que não é verdadeiro. Em quantos momentos colocamos a disposição um grande bônus de credibilidade para uma pessoa, e por fim tudo aquilo que colocamos em investimento, a tão chamada amizade verdadeira ou amores sinceros, não passam de uma miopia em alto grau?
Frequentemente estou me sentido desajustado nestes tempos de valores embasados pelo tirar proveito de relações pouco empáticas. Não sou nenhuma Madre Tereza de Calcutá ou nem tanto um Gandhi para estabelecer um altruísmo sem nenhum ganho, alias até desconfio de tais personalidades emblemáticas de nossa história, não sei se elas mesmas não tiraram um pouco de proveitos pessoais com seus feitos. Mas me arrepia o cérebro ao pensar que as relações humanas estão de fato corroídas pela individualidade em que nos encontramos. Afeto, gentileza e até mesmo a educação com seus pares estão sendo vistos como fraquezas. No mundo de ganhos absurdos e diferenças sociais, o “dente por dente” é doutrinário, o perceber e conhecer o outro são métodos com pouca aderência.
A “falsidade particular” está em auge, mentir para si mesmo e para o outro para demonstrar superioridade esta sendo muito empregado na socialização. Todo dia um baile de mascaras é formado, o complicado está sendo entrar em sintonia com a sonoridade de músicas pouco audíveis para ouvidos humanos. Quando estamos tão envolvidos com o que outros esperam, pouco sobra tempo para nos focalizarmos com o que somos e o que verdadeiramente queremos. Qual o sentido da falsidade? Criar uma nova realidade para se obter ganhos? Sim, talvez seja, contudo esse ganho tem um preço, ter que lidar com falsas realidades e conseqüências abusivas de valores.
A sensação de ser enganado é algo que nos provoca ira, tristeza e decepção. Ser enganado é deslocar aquilo que aparentava ser para uma esfera da qual nunca será. É jogar fora o que alimentamos, sem mesmo saber o que chegou a ser. Até que ponto podemos confiar no outro? Não podemos acreditar em fantasias românticas de bondade universal, nem tão pouco, podemos ser duros com nós mesmos em abdicar de conhecer novas pessoas. Talvez a resposta esteja no equilíbrio deste conjunto. Na possibilidade de dar abertura às novas experiências sem que percamos a consciência de nossas referências pessoais. Acredito que o ser verdadeiro consigo e com o outro é estritamente mais funcional do que mentir constantemente a espera de um Oásis num amplo deserto!

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