Uma nova pessoa nasce, o sujeito quer ser o desejo do Outro (a mãe), e por muito tempo é, contudo aquela mulher percebe que aquele objeto fálico (o bebê), não é se não outro ser, e que não completa toda sua falta, não tampona aquele vazio. Dessa maneira, um novo neurótico se constitui, por saber (inconscientemente) que ele não é tudo para sua mãe, e que há limitações na composição de relacionamento mãe e bebê. Nossa escolha de objeto de amor assim começa já em nossa infância, devido à passagem de nossos relacionamentos com os nossos pais, não é atoa que os psicanalistas questionam tanto os pacientes sobre tal assunto, mas se começa já em nossa infância e projetamos tais desejos em nossas escolhas no devir, podemos alterar esses modelos por nós construídos?
O que muito ocorre é que temos dentro de nós, uma caixinha com muitas fantasias, com ela criamos enormes ilusões. Já repararam como as crianças brincam e de forma lúdica expressam sua linguagem? Pois é, quando somos crianças conseguimos falar de forma menos restrita sobre aquilo que sentimos. Adultecemos (sim, neologismo!) e vamos criando resistência em cima de resistência para não se haver com aqueles desejos mais obscuros, com os males da alma, os nossos fantasmas. São mecanismos de sobrevivência, até mesmo o adoecer é um mecanismo para lidar com questões inconscientes. Já reparei que passei da adolescência e as espinhas (acne) insistem em aparecer quando estou passando por momentos de mudanças ou de tristezas, minha auto-estima que o diga! Bom, mas voltando para a caixinha, logo quando vamos conhecer um novo alguém, abrimos essa caixinha e a chacoalhamos em cima da cabeça da pessoa, e tentamos vestir a pessoa com aquilo que caiu da caixinha. Sim é isso aí, volta e meia, tentamos deixar a pessoa mais bonita, mais inteligente, com tratamento especializado e sexo de primeira! Passa um mês e nossos óculos cor de violeta (à la Lady Gaga) ainda não nos deixam enxergar o que é aquilo com que estamos juntos, mas o tempo passa e com ele os óculos vão ficando mais nítidos, e daí caro leitor, daí vem à desilusão, a pessoa do qual estamos juntos tem um emaranhado de problemas e fraquezas (que não estavam inclusos na caixinha de fantasia), dois caminhos se mostram possíveis daí por diante: ou continuo o relacionamento mesmo sabendo que o outro tem "fraquezas" e que realmente ele é um ser diferente daquele proposto por minhas fantasias, ou vou atrás (e bem atrás mesmo) da pessoa ideal (que por fim nunca aparece).
E o que fazer então com esses modelos de buscas? Ou vivemos colocando a culpa nos outros, no qual as pessoas que fazem tudo de errado por isso os relacionamentos não dão certo, ou enfrentamos nossos fantasmas numa busca incessante de autoconhecimento sobre questões como, repetições e escolhas! Fácil de entender porque as pessoas demoram tanto para ir a um psicólogo, lidar com os monstros internos não é tarefa das mais fáceis, mas quando conseguimos olhar nos olhos de nossos fantasmas e falarmos BÚÚÚ (insights), não existe sensação mais libertadora!
não tinha parado pra pensar nisso, é a mais pura verdade.
ResponderExcluirgostei de "óculos cor de violeta (à la Lady Gaga)" haha quando esse óculos cai ou se quebra aí caímos na realidade, nem tudo é como agente pensa ou quer.
lindo post Ti.
Verdade Pri! nem tudo é fantasia... ou cores violetas! mas ainda assim temos o direito amar!
ResponderExcluirbeijos linda...
obrigado pelo comentário!