Proíbo-me, me proíbo do prazer. Quantas vezes desejamos algo tão fortemente e integralmente, mas nos mantemos estáticos ou sem conseguir buscar a conquista almejada?
Num oceano de prazeres parciais e comprados, quem busca ou planeja sonhos futuros, ou recuperar algo do passado? Passado já é velho... Dizem... Mas o passado não é o que somos? Quando temos a oportunidade de vivenciar amizades próximas, amores mais reais e conquistas mais verdadeiras?
Somos seres “faltantes”, em nossa infância somos marcados pela falta inicial, a separação de nossa mãe e o contato com a realidade. Depois disso vamos vivenciando vários momentos de frustrações e perdas. Já é uma condição da humanidade! As leis colocam barreiras e limites necessários para a organização social. Contudo, hoje estamos num retalhamento intermitente de busca pelo não sentir o desprazer. Assim as próprias leis são muitas vezes burladas, para que o prazer seja alcançado.
Os valores mudaram, palavras como individualismo, permissividade, desonestidade, perversidade, fazem parte de um novo contexto. Mas tais mudanças acarretam por sua vez o que chamamos de insatisfação. Nunca encontramos uma sociedade tão insatisfeita com sua realidade como a nossa. Motivados e embasados no modelo neoliberal, vivenciamos a busca imediatista do prazer. A frustração, o sentir a dor, o ficar triste, já não é bem visto. Problemas psicossomáticos são cada vez mais comuns em nossa cultura. As dores existenciais são transportadas para o corpo, como meio de expressão inconsciente do que “não pode” ser verbalizado e sentido conscientemente.
O que precisamos elaborar para sair desse paradigma massacrante?
Penso que o conhecimento e o aprender a visualizar o que vivemos, são meios para podermos escolher o que queremos seguir... Queremos comprar amigos, famílias e amores ou queremos afetivamente cultivá-los... Não nos permitimos sentir dor ou nos possibilitamos sonhar e, além disso, demonstrar nossas insatisfações.
O vir a ser, depende de como nos percebemos hoje...


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