Sinto que paira no pensamento moderno um desejo intenso em gozar, quando falo em gozar, não me refiro apenas ao ato sexual, mas sim no retirar o acumulo de tensões. Em contraposição, as receitas de felicidades são vendidas na maioria dos meios de comunicação, nas escolas, trabalhos, redes sociais e internet. Como assim o que se vende?
Idéias, pensamentos e ideologias, ditam o que devemos ser para alcançarmos à tão esperada felicidade, digo tão esperada porque mais esperamos do que somos momentaneamente felizes. O acumulo de informações e regras permeiam a sociedade do consumismo. Mas o que realmente queremos consumir?
O ter, o possuir, o querer sobrepõe ao ser, perceber e analisar. Assim, devoramos vorazmente idéias do que é necessário ter para sermos “felizes”, mas conseguimos ser? Ou conseguimos ter? A felicidade comprada é imediata, uma vez comprado aquele objeto de desejo (ou de fetiche), aparece novamente outro objeto que pseudo-almejamos alcançá-lo. Como diz Zé Ramalho: novamente o nervo se contrai, e a lógica consumista continua a rolar. Tensão e destensão, Se tenho, sorrio, e logo vou querer novamente, uma lógica infindável. Mas o que realmente queremos com tudo isso? O que faz parte de nossa essência?
Perguntas e questionamentos. Será que nesse tempo de amores imediatos, sexos imediatos, línguas imediatas e relações imediatas temos tempo para questionarmos o que é realmente a nossa essência, ou o que realmente desejamos, ou o que está por trás de nossas faltas e anseios?
Voltar para si ultimamente virou aspecto de luxuria, não sei em que momento de nossas vidas deixamos de nos permitir, olhar para dentro, perceber o quanto de extraordinários somos e complexo por assim dizer.
De forma imbecil a sociedade está colocando enquadres e parênteses, na liberdade, que imaginamos ter. O que temos, no entanto são apenas vertigens de libertinagem. Sonhos que nascem mortos ou que abortamos quando temos a chance. Falando disto, lembro de Augusto dos Anjos que diz:
“Vês! Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua
última quimera. Somente a ingratidão, essa pantera,
foi tua companheira inseparável. Acostuma-te à lama
que te espera. O homem que nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável, necessidade de
também ser fera. Toma um fósforo. Acende um cigarro.
O beijo, amigo, é véspera de escarro; a mão que afaga
é a mesma que apedreja. Se alguém causa inda pena a
tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, e
escarra nessa boca que te beija”.
última quimera. Somente a ingratidão, essa pantera,
foi tua companheira inseparável. Acostuma-te à lama
que te espera. O homem que nesta terra miserável,
mora entre feras, sente inevitável, necessidade de
também ser fera. Toma um fósforo. Acende um cigarro.
O beijo, amigo, é véspera de escarro; a mão que afaga
é a mesma que apedreja. Se alguém causa inda pena a
tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, e
escarra nessa boca que te beija”.
O que esperamos do outro? O que esperamos de nós mesmo? Quais as relações de ética estão sendo construídas? Até quando apenas gozarei ou me sentirei relaxado?
Por sua vez, se temos tantos bônus para comprar e desejar resta-nos em ônus, e estes se caracterizam geralmente por stress, irritação, as tão discutidas depressões, ansiedades, ou seja, doenças da alma. Entretanto a sociedade consumista achou uma saída, os psicotrópicos, vendidos em quilos, para que assim as pessoas não precisem lidar com suas feridas internas, e que vão levando suas vidas intoxicadas, vivendo sonhos por meio de alucinógenos. Mas o que é real? Quem construiu essa sociedade? Relaxe, isso é apenas uma epifania...
Tenso ... destenso
Tenso ... destenso
Tenso ... destenso
Relaxe e goze
Relaxe e goze
Relaxe e goze

Mais uma vez, caro amigo parabéns pela postagem, e volto com a seguint pergunta:
ResponderExcluirAté quando nos questionaremos, e ficaremos presos a idéias fixas de consumir??
Relaxe e goze, comodo, tranquilidade, até então prazeroso...
Malditas idéias fixas....