Ela tinha abaixado para pegar o lápis de cor amarela que havia caído junto uma lágrima que escorreu em seu rosto. A professora a vendo interrompeu a aula e a questionou:
- Porque chora Isabella?
Sem meio tempo de resposta ela saiu correndo para fora da sala, correu em direção a uma praça que ficava ao lado da escola, dilacerada em lágrimas. Sentou-se não queria ninguém próximo a ela, queria a solidão, queria ficar no seu obscuro mundo. Sentou-se num banco de madeira, de carvalho, cheirava a verão. Seu vestido roxo contrastava com aquele banco de tal forma, que parecia uma fotografia recentemente tirada de uma maquina polaróide. Era tarde, o sol coloria, manifestava poder por entre as folhagens das árvores. Em meio a essa cena individual e dolorosa, surgiu um papel que fora jogado pelo vento, parece que dançava entre os redemoinhos, Isabella parou as lágrimas, fitou aquele papel, até que ele como se conversasse com ela, grudou em sua perna esquerda.
O papel era de uma cor envelhecida já estava meio sujo, parecia que já havia rodopiado por muitos ventos antes de chegar a ela. Meio que desconfiada e ao mesmo tempo curiosa, Isabella pega o singelo papel e o lê:
“tenho em minhas mãos a chave do mundo. Já andei por esse mundo procurando minhas respostas, e cada vez mais encontrei mais perguntas. Já amei demais, já perdi várias pessoas, mas o que ficou no lugar, o que restará afinal. É difícil decifrar os pontos finais, desejo-os, mas os temo, gostaria que o gesto de retirar a minha vida fosse tão fácil quanto colher uma flor e entregar a pessoa que amo, mas não ainda existe em mim uma força estranha, que deseja, mesmo contra meu próprio pensamento, viver!”
Sem perceber o que estava acontecendo ao seu redor, que dia do mês era aquele, o que seus pais estavam fazendo, ou porque a economia mundial estava toda de cabeça pro ar, de uma hora para outra Isabella parou de chorar, aquele bilhete, que não sabe ela se era uma carta de despedida, uma desabafo a algum amigo, ou então um devaneio torneado em letras, mas de alguma forma tirou suas lágrimas de sua face.
A menina de vestido roxo começou a olhar quantas árvores habitavam aquela praça, quantos bancos estavam dispostos ali e imaginou, quantas pessoas já haviam chorado ali, quantas já encontraram amores, quantos deixaram velhos amores ou ainda quantos queriam encontrar ali um novo amor. Mas porque cargas d’gua pensava tanto em amor, se não conseguia nem se amar.
Lembrou de como foi o seu primeiro amor, apesar de ser tão jovem, já sofrera de amor e em especial o seu primeiro a deixara um rasgo em sua alma, que traz até hoje, deve ser por isso, pensa ela, que não se entrega totalmente a alguém, tem medo, se arrasta até a pessoa e não consegue levantar e olhar olhos nos olhos. Dizem leitor, que quando olhamos por muito tempo uma pessoa por tanto tempo olhos nos olhos, conseguimos decifrar uma característica pessoalmente desconhecida até mesmo da pessoa que olhamos. Esse medo lhe retraiu, fez abdicar de muitas conquistas que poderia obter engraçado o que o olhar pode lhe afetar, o que pode realmente lhe dizer!

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